terça-feira, 14 de junho de 2011

Empatia

A primeira lição que aprendemos em uma escola de jornalismo é que não devemos nos envolver com fatos, fontes e entrevistados. Mas, a lição nem sempre é levada ao pé da letra...Há um mês, combinei com meu editor para fazer uma matéria sobre o Centro de Referência e Apoio às Vítimas (Cravi), um programa da Secretaria Estadual da Justiça e da Cidadania.
Tenho experiência em fazer matérias sobre mazelas sociais. Sempre gostei. Estudei em um departamento de estratégia na Universidade de São Paulo e já vi feridos de guerra ao vivo... Nada me impressionava... até aquele dia... Ao chegar à sede do Cravi, deparei-me com pais, mães e vítimas da violência policial. Não foi fácil, segurar a emoção... Ao ouvir uma mãe falar para mim: qual o nome que se dá à uma mãe que perde o filho? Não consegui aguentar o final da frase. Meu coração compartilhou a dor com aquela mulher...Ela havia perdido o filho há 12 anos e ainda sofria a dor da perda no peito. Chorei junto com ela e com os outros pais...A entrevista durou mais de três horas, foram depoimentos, sonhos e pedidos de justiça... Foi a melhor reportagem da minha vida. Nesta reportagem, eu aprendi que, muitas vezes, a empatia faz toda a diferença...

Uma bela lição

Há três semanas, sai para fazer uma reportagem. Ela seria sobre mulheres policiais em geral. Conversei durante 15 dias com várias e deu uma matéria bem interessante que foi publicada no Diário Oficial do Estado. De todas, a que mais me marcou e ao fotógrafo, foi a declaração da médica legista Marília de Deus, responsável pelo IML de Osasco. "Adoro meu trabalho. Até conheci meu marido aqui no IML (vivo, é claro!!!). Nunca vi uma pessoa tão apaixonada pelo trabalho. Saiu em todas as fotos sorrindo sem o menor constrangimento ao lado de um corpo que seria dissecado logo em seguida. O exemplo da doutora Marília, vale para todos. Não importa o trabalho que você faz... tenha amor por ele...

Papéis trocados

É engraçado como a vida prega peças. Nesta semana, recebi um e-mail de um amigo que estava extremamente nervoso porque sua namoraesposa resolveu dar um tempo na relação. Há cerca de seis meses atrás, ele foi ao meu antigo programa de tv para falar sobre seu novo livro. Parecia um garoto apaixonado, daqueles que aos 15 anos tem sua primeira namorada.
Falava de sua relação com a mulher, de sua paixão, da dificuldade de se relacionar com os filhos dela (ele insistia em falar nisso) e como era lindo ter um relacionamento em que cada um morava na sua casa.
Meu ex-diretor achou aquela conversa de louco porque compartilha comigo a ideia de que quem ama, cuida e gosta de morar junto... Sou das antigas... Na segunda-feira, recebi um e-mail dele falando horrores da mulher... até intimidades, ele contou... Achei estranho e parti para cima dele. "Qual é cara, como vc pode falar isso da sua mulher?"... Passado um tempo, ele envia um e-mail para eu esquecer que ele tinha escrito sobre a mulher. Falei logo: "é, depois de uma bela transa, as pessoas esquecem do que falaram e do que fizeram. Por isso, a Lei Maria da Penha não vinga..." Homens, vcs não tem jeito... mas, falar mal da companheira não dá, né?